Diante da Dor

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“A fé é a substância da esperança e a convicção das coisas invisíveis.”

 Na horizontalidade dos desígnios das Leis Divinas se encontra a poderosa força derrubadora da verticalidade da presunção humana.

A metafísica da potencialidade da força do homem não reside apenas em sua fé, mas também em seu comportamento de ajuste à adversidade.

Quem se disciplina a bem se comportar, agindo sempre com elegância, sobriedade e educação terá incorporado em si a atitude certa diante dos acontecimentos mais dantescos e inesperados da vida. Só a criança rebelde e mal educada se revolta e esperneia face a uma resposta negativa do pai.
Quem domina a si mesmo, gerando sempre o controle na quietude, será, inegavelmente, um bom dominador, adestrador na inquietude, no problema, na dor…

Adapte-se em silêncio reflexivo aos dissabores de sua vida, buscando a mensagem que a lei de causa e efeito lhe envia.
O valor do seu comportamento diante das tormentas enfrentadas na vida não será mensurado por qualquer atitude de enfermiça apatia e submissão. Não é esta a proposta. Será marcado pela serena atuação de como melhor navegar em situações de mar revolto.

Tudo em sua vida sempre passou e o deixou mais experimentado, mesmo que com cicatrizes, o seu mau momento atual também passará. Tenha paciência.

Em tudo que nasce, algo se dissolve, não venha a se dissolver a sua confiança no Alto, quando nascer ou chegar uma dor inesperada. Mas deixe se esvair o seu orgulho de inatingível, a sua prepotência de especial.
Até o ferro mais resistente cede aos imperativos da forja, assim como o homem mais orgulhoso baixará a cabeça frente ao pórtico da dor.

Quem se ergue ao cume da soberba se achando intocável pelos reveses da vida, não poderá ficar por muito tempo, uma vez que todos estamos submetidos ao imposto pelas nossas ações do passado.  A dor, por conseguinte, é a oficial de justiça a nos trazer as dívidas para os devidos ressarcimentos.

Não precisa você saber o que fez, pois se está nesta terra é o suficiente para saber que algo fez. A certeza do nosso reajuste não vem das provas de que algo fizemos, mas da dor que nos chegou, da realidade individual de cada um.

O homem de verdadeira fé, que encara com dignidade as suas adversidades, segue intimorato a sua saga, não se desvaindo ante as recomposições que a vida exige; ao passo que o homem profano se dilui em sua dor, se desfaz na superficialidade de suas considerações, não conseguindo assim, manter a sua integridade geral Dante do inesperado do sofrimento.

A dor é a pior inimiga do eu, claro, porque o faz sofrer e chorar, mas o eu pode se tornar o melhor amigo da dor, posto que a dor é a maior aliada para o reajuste do eu ao TODO.

–  Carlos Murion

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