ETERNIDADE DA VIDA

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magritte-modele-rouge-detai(Os Sapatos Vermelhos, obra de Magritte 1898-1967)

Quão eterno é o nosso porvir, assim como os raios da luz e todas as coisas criadas por Deus; mas por quanto tempo andará o homem a vagar procurando aquilo que se aloja no seu interior? Por que será que encontra tamanha dificuldade de compreendê-la, pensando talvez que um dia viesse um sábio lhe dizer? Será que não percebe que cada coisa que se move ou que existe na natureza é atributo desta verdade?
O mundo real pode ser uma ilusão, á medida que não possibilita uma maior visão do universo pela própria limitação de suas vistas e de sua cegueira da ignorância interior. Existem olhos que sobrepujam a matéria e alcançam dimensões outras, até então incapazes de serem detectados por impossibilidade de nosso alcance visionário.

Esta dimensão aqui e agora, com a qual convivemos durante toda nossa existência e que é negada constantemente pelos céticos e materialistas, ou seja, por quem acredita apenas no que vê. Entretanto, muito do que o homem vê é ilusório, tal como uma estrada que se fecha ao longo, ou então as distorções causadas por um espelho, e julga-as verdadeiras.

Sabendo disto, concluímos que a estrada tem prosseguimento com a mesma largura e que a imagem do espelho não é a verdadeira; entretanto, não se percebe que também acontece assim com as outras coisas. Feche os olhos e deixe projetar à sua frente uma série infinita de imagens, tente segurá-las. Serão elas verdadeiras ou falsas? Dirão alguns que estas foram criadas por um processo de aprendizagem visual: então, podemos concluir da mesma forma que são reais, mas se apalparmos verificaremos que em nada tocamos. O que é verdade nesse caso? Quando se sonha, tem-se a impressão de viver uma situação real; entretanto, quando se acorda tudo se acaba. Pairam novas interrogações: primeiro, por que e onde estaríamos naquelas condições; se não é real, como poderíamos tê-las vivenciado?

Se isto foi uma projeção da mente, é de se acreditar que a matéria não passa de uma idéia da mente, ou que a cada dimensão nos deparamos com percepções diferentes da mesma coisa. O que é realidade neste mundo da matéria é a realidade das projeções do mundo das idéias. Por que diremos que todas as coisas são eternas? Porque foram criadas por Deus e nas ciências naturais constatamos a verdade deste fato, pois um pé de milho é antes uma semente para depois crescer, dar frutos; quando ingerido, dissociam-se em moléculas e partículas atômicas, transformando-se em energia ou vitamina que se torna integrante do corpo humano, e quando são eliminadas, ou com a morte deste corpo, entram em decomposição para novamente reintegrar-se à natureza.

Se pudéssemos fazer um retrocesso neste grão de milho, chegaríamos ao princípio de tudo, ou seja, à semente inicial. As grandes interrogações que fariam todos aqueles que buscam alguma coisa do desconhecido (aquele que assombra a todos) são: como tudo começou; de onde veio o grão de milho? Isto é a mesma coisa que querer experimentar a sensação de não ser eu para passar a sê-lo.
A princípio nossa história era conclusiva, passando a ser interrogativa já que desejar explicar o princípio de tudo é complexo, porém simples para os que admitem que tudo já existia. Mas perguntarão os mais ousados: se tudo tem princípio, o que é que existia antes de nada existir? Concluirão outros se nada existia, então nada pode ter sido criado do nada. Indo mais além, haverá aqueles que, inconformados com as próprias dúvidas sobre sua vida, indagarão: para ser criada alguma coisa é preciso algo que a tenham criado; logo, encontraríamos uma cadeia sucessiva de criações? Por certo uma resposta simples, conclusiva e acertada é aceitarmos a eternidade das coisas e do universo.

Mas parece que esta resposta não contenta a quem não aceita respostas simples. É preciso ir mais além, e mentalizemos agora.

Elimine de sua mente, sua casa e vá eliminando coisa por coisa, até ela ficar vazia; sinta o espaço. Faça desaparecer de sua mente a sua casa. Sinta-se no vazio. Vá eliminando de sua mente as casas vizinhas, até completar a cidade ou local onde mora. Sinta o vazio. Sucessivamente a outra cidade, o município, o Estado, o País, o continente.  Agora, elimine por completo da sua mente o planeta Terra. Sinta o vazio. Faça o mesmo com o Sol, a Lua e os demais planetas do Sistema. Veja que o vazio vai aumentando. Elimine ponto por ponto até o fim. Sinta o enorme vazio, mentalize outras galáxias e dê prosseguimento ao processo. Suponhamos agora que se tenha concluído a eliminação de tudo o que é matéria.

Acabou tudo?Não.

Ainda resta você como integrante, ou seja, o único ponto existente em todo universo, a não ser que tenha se esquecido de algum lugar onde houvesse alguma coisa. Imagine o seu desaparecimento, agora, parte por parte, começando pela roupa, depois partes do corpo material. Existe alguma coisa ainda? Claro! Seu espírito, alma, ou qualquer nome que queira dar. Aprofundemos no imenso e infinito vazio que existe. Logo, se existe é porque você ainda é parte integrante do sistema, porque caso contrário não poderia julgá-lo – algo que não faz parte da existência inexiste, e acabaríamos com o fundamento de se arguí-lo quanto às nossas dúvidas.

Como será esse abismo sem nenhum corpo material ou físico? Por certo, está presente a energia cósmica preenchendo tudo em qualquer ponto e em qualquer lugar. Se disseres que encontrou alguma coisa, diga-nos o que há do outro lado, e se realmente encontrou é porque não executastes a completa eliminação de todo mundo físico de sua mente.
Essa energia existente foi a geradora de todos os corpos celestes por um processo que chamaríamos agora de idealizado, agrupamento dos átomos por combinações ou deslocamento. Foram-se condensando até formar um planeta, que já trazia dentro de sua estrutura toda a gênese da vida.

E quem estaria por trás disto tudo, já que sabemos que nada se faz por acaso? Quer aceitemos, ou não, é exatamente esta força, energia cósmica que preenche tudo, que chamamos Deus. Porque era pura, virou idéia e passou a ser. Movendo tudo e criando tudo, porque eram unos, indivisíveis e eternos. Mas era preciso expandir e recriar algo que pudesse diferenciar-se sem perder, contudo, seu verdadeiro atributo. E assim se fez por todo o universo, perpetuando a projeção da imagem central.

Por que alguma coisa que era pura precisou ou quis se diferenciar? É porque alcançou a eternidade, a perfeição, a harmonia, a dinâmica e a estática de todos os seus elementos. Mas se tudo era tão puro no princípio da divisão, porque hoje há gritantes disparidades? É porque o criador deu-lhes também o direito da liberdade de agir. É preciso saber também que qualquer repartição de um grupo de ovelhas que antes eram mansas com a divisão perde o equilíbrio do grupo por viver e imaginar-se só, acreditando em sua verdade apenas, pois a individualidade não era parte do ser que lhe deu origem.
Como tudo poderia voltar à origem inicial? Somente o saber, o criador, porque criou leis puras e somente ele tem a chave das infinitas combinações e possui o seu controle. Mas o que ganharia ele com ETA criação? Na eternidade nada se perde ou se ganha, porque ela é a eternidade.

Realmente, paira a grande dúvida: como tudo começou? Devemos partir do princípio de que tudo já existia e partir daí deu-se o desencadear dos fatos. Não adianta querer perguntar quem criou Deus, porque ele já existia e se algo o houvesse criado, creia, este é que era o verdadeiro Deus. A eternidade não admite princípios ou criação, porque ela possui o atributo de já era e sempre será.
Agora, voltemos à nossa mentalização. Retire toda a energia existente. Ficou somente o vazio. O nada. O nada é a negação da existência: nesse caso, estaria negando a ti, porque ainda te resta o atributo de espírito. Sejamos ousados. Retiremos o seu espírito: pare de pensar, porque você não existe. O que ficou? Agora ficou apenas o nada, ou seja, a ausência de tudo. Ainda há alguma coisa? Sim. O vazio sem nada é um buraco ou espaço? É. Assim sendo, não está tudo acabado, e o pior é que não podemos fazer desaparecer a idéia de nada ou vazio. Donde se conclui que o nada e o tudo são unos indivisíveis, imutáveis, infinitos, eternos.

Nunca você chegaria ao princípio do nada porque ele é ao mesmo tempo o tudo. Quando foi dito para eliminar seu espírito, quis-se dizer parar de pensar ou existir por completo. Você conseguiria parar de pensar, deixar de ser? Se conseguir, então, não poderá jamais saber o que realmente sobrou do universo por não estar presente. Diga-nos para onde você realmente imaginou que foi e em que ponto conseguiu se localizar; e se você localizou em algum lugar, esqueça tudo que dissemos, porque lá também faz parte do universo. A eternidade (Deus).
Concluímos que explicar a eternidade é algo simples exatamente porque é complexo, ou seja, abrange tudo. E o todo não pode ser explicado porque somos parte dele, e tentar fazê-lo é o mesmo que se auto-explicar; somente o todo pode se auto-explicar, o que, entretanto, não é preciso, por que seria explicar a quem? As partes? Não, porque as partes são ele próprio, e assim sendo ele é uno, e sendo uno não existe outro.

Logo, Deus não precisa se auto-explicar,
porque é eterno.


Dirceu Moreira, Guarulhos, São Paulo. Pg.62-63
Edição Planeta NO.122

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